Porquê a intervenção nutricional em Psiquiatria?

Atualmente, admite-se que existe uma relação dinâmica e complexa entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central, o chamado eixo cérebro-intestino. A flora intestinal parece influenciar a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos.

Embora sejam necessários mais estudos observacionais e experimentais que suportem o recurso a intervenções particulares em contexto clínico, existe já um abrangente corpo de evidência cientificamente rigorosa que enfatiza o papel da nutrição em saúde mental, identificando como vias biológicas associadas a inflamação, o stress oxidativo, a modificação epigenética e a neuroplasticidade.

Evidência epidemiológica consistente sugere uma associação entre a qualidade da dieta e o nível de saúde mental, particularmente na depressão. Por essa razão, torna-se pertinente uma intervenção psiquiátrica que conjugue o uso de psicofármacos e intervenções psicoterapêuticas com uma intervenção ao nível nutricional, contemplando:

  • a modificação do padrão alimentar (ex., ênfase na dieta anti-inflamatória)
  • o uso de probióticos e prebióticos
  • a introdução de outros nutracêuticos (ex., omega 3)

Por esta razão, em qualquer fase da doença, torna-se pertinente uma abordagem personalizada do indivíduo e da sua condição, recorrendo a intervenções integradas que envolvam mente, corpo, flora intestinal, nutrição, regulação do stress e modificações do estilo de vida.

Este é um dos focos da Psiquiatria que, em decisões partilhadas com o paciente e coordenada com a Nutrição e Psicologia, pode capacitar o paciente com ferramentas úteis para melhorar a sua qualidade de vida.